No natal passado...

novembro 29, 2019



No natal passado, não te dei o meu coração.

Dei-te a minha mão para te segurar quando caíres.
Dei-te o meu ombro para chorares e a minha mente para habitares. 
Dei-te os meus ouvidos para poderes falar horas sem fim.
Dei-te a minha boca para te distrair. E dei-te os meus olhos para espelhar a melhor versão de ti. 
Dei-te a minha voz para ecoar canções sobre ti. 
Dei-te os meus pés e as minhas pernas para acompanhar as tuas passadas.
Dei-te a minha pele para usares como instrumento, onde aprendeste a tocar a melodia de mim.
Dei-te o meu estômago para o alimentares ao lado do teu. 
Dei-te o meu peito para te recolheres e o meu nariz para te encontrar em qualquer multidão. 

Este Natal, tenho de te pedir desculpa, pois pouco me resta para te dar. Ofereço-te o melhor e o pior de mim, ofereço-te, finalmente, o meu coração. É ele que orquestra tudo o que já te ofereci. Tem aspecto frágil, está sujo, desgastado e rachado, mas limpei-o e poli-o  para ti. Contudo, são todas as  suas marcas que o tornam único no mundo. E não tenhas medo de o deixar cair. Ele é mais resistente do que o que parece e saberei sempre como o consertar. Só não o leves para longe, por muito tempo. Não vou gostar do vazio no peito quando não estiveres. Mas, quando regressares, será como voltar a casa. 

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