Cativando
outubro 31, 2019
“We are the sum total of our experiences. Those experiences – be they positive or negative – make us the person we are, at any given point in our lives. And, like a flowing river, those same experiences, and those yet to come, continue to influence and reshape the person we are, and the person we become. None of us are the same as we were yesterday, nor will be tomorrow.” - B.J. Neblett
Nestes últimos tempos, tenho sido invadida por um pensamento recorrente: em como somos, maioritariamente, o produto das nossas experiências e das atitudes dos outros para connosco. É algo bastante óbvio, eu sei, mas, de facto, raramente temos a noção do impacto que podemos ter noutra pessoa e, às vezes, uma pequena ação da nossa parte pode mudar alguém por completo e a perceção que essa pessoa tem do mundo. Eu, por exemplo, sou uma pessoa muito diferente da que era no início deste ano.
Há pouco mais de um ano, conheci alguém que redefiniu muito de quem sou. Conheci alguém que nunca teve medo de arriscar, alguém que passou por experiências das mais inacreditáveis, alguém que me tratou como filha e que acreditou em mim e todo o meu potencial. Esse alguém fez o que podia, e o que não podia, para me ajudar a alcançar os meus sonhos e, mais importante, fez-me acreditar, pela primeira vez, neles. Foi essa pessoa que me fez publicar os meus vídeos no youtube, foi com ajuda dessa pessoa que ganhei coragem para voar para Inglaterra e foi essa pessoa que me fez ir parar ao Brasil. Sempre fui uma pessoa bastante insegura de mim até recentemente e ele é, também e em parte, responsável por esta mudança. Nunca pensei dizer isto, mas orgulho-me, genuinamente, da pessoa que me tornei em alguns aspetos da minha vida, sobretudo pela minha independência. Claro que nunca somos totalmente independentes e claro que tenho sempre quem me ajude quando preciso, mas estou bastante convicta que atingi um bom nível de independência (e não falo só de financeira, falo em grande parte em independência emocional) e que só preciso de contar comigo para ser feliz (e não estou a dizer que não preciso da minha família e dos meus amigos, vocês percebem). E, neste momento, estou apenas focada nisto: no que é melhor para mim, nos meus sonhos, na minha felicidade.
Sempre me disseram que antes de amar alguém temos de nos amar a nós próprios e, sinceramente, não podia ser mais verdade. E acho que esta foi a questão em que mais mudei nos últimos anos. Sempre tive uma obsessão ridícula com o amor. Sempre acreditei que o propósito da vida era esse e que “a melhor coisa que vais aprender é amar e ser amado de volta” (estou a ouvir os meus irmãos a suspirarem) e sempre fui muito Christian na vida (atenção, nunca fui desesperada por arranjar alguém!). E, se calhar, é verdade, mas o amor próprio é tão, ou mais, importante. Ninguém precisa de outra pessoa para ser feliz, ninguém tem de depender de alguém para o que quer que seja e ninguém tem de se rebaixar por ninguém. E isto foi o que mais me custou a aprender. Que dar tudo de nós nem sempre é o suficiente para sermos valorizados ou, sequer, o mais correto. O que damos tem de ser proporcional ao que recebemos. Sempre. E isto pode parecer frio mas é a única maneira de os vossos atos terem algum valor. Quem vos tem como um dado adquirido nunca vai fazer o mínimo esforço. E é esta a verdade. E não digo que as pessoas não gostem de vos ter nas suas vidas, mas gostam pelo que fazem ou pela pessoa que são? Alguém me disse há uns tempos “ser boa pessoa tudo bem, mas ser burra, não” e, às vezes, é difícil apercebermo-nos do limite, mas a realidade normalmente chega como uma chapada na cara.
Todos somos o conjunto das nossas vivências e isso é o que nos torna tão complexos. Quantos de nós não fomos a causa de choro de alguém, de um sorriso apaixonado, de uma depressão, de risos intensos que provocam dores na barriga, de conforto e de felicidade? E quantos de nós pararam para pensar no impacto das nossas ações na outra pessoa? “Somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos” e, parecendo que não, é das maiores responsabilidades que levamos para a vida.





1 comentários
Esse avanço existencial não foi algo que você ganhou de alguém, mas, uma conquista que você mesma fez. O motivo é que, na verdade, não somos produto das influências e estímulos que recebemos, mas, do modo como reagimos a esses estímulos e influências. Nesse sentido, suponho que algumas reflexões podem ser produtivas em relação ao objetivo da felicidade:
ResponderEliminar1) - Se formos generosos e solidários com as pessoas, isso sempre volta a nós na forma de felicidade. Entretanto, esse retorno só acontece em 100% das vezes se aplicarmos a generosidade sem nos importarmos se vão retribuí-la, agradecer por ela ou reconhecê-la. Ou seja, o importante é ficarmos felizes apenas por agir com respeito, afeto e consideração com os outros, mesmo que isso não seja recíproco. Não obstante, reconhecer e agradecer a generosidade recebida contribui para a felicidade coletiva;
2) - Achar-se inferior ou menos capaz que os outros é tão equivocado e danoso quanto o contrário. É importante, pois, convivermos com a certeza que não somos mais nem menos que ninguém; com a certeza de que a diferença entre as pessoas é uma construção cultural equivocada, antagônica à felicidade. Só tenho como ser inferior a mim mesmo; e no caso de eu perceber isso, devo tomar essa percepção como um indicador de que preciso melhorar quem eu sou a partir de mim mesmo, tomando meu próprio potencial como referência;
3) - Não devemos nos importar com o que os outros pensam a nosso respeito ou a respeito das nossas atitudes, mas, com o que nós mesmos pensamos a respeito de nós e de nossas atitudes, sabiamente à luz da crítica construtiva que eventualmente alguém generosamente faz sobre nós;
4) - Quem tem que decidir quem se é, é a própria pessoa, ainda que seja inteligente considerar a opinião alheia. Entretanto, essa consideração não pode subordinar o amor que sinto por mim mesmo e o orgulho que é importante que eu tenha a respeito de quem eu sou;
5) - Toda essa autocentralidade e autorreferência não pode ultrapassar o limite ético do respeito e da consideração em relação às outras pessoas.
6) - Toda vez que o ambiente parecer escuro, tente abrir os olhos porque, talvez, o problema seja só esse.
Então, embarque logo nesse comboio e boa viagem até a felicidade!