Há uns tempos, decidi parar de escrever para o blog. Há uma linha muito ténue que separa o posso ou não expor, o que é ou não é demasiado, apesar de, sinceramente, tudo que escrevo aqui representar, no máximo, uns 10% da minha realidade. Há muita mais Ana para além desta. No entanto, achei importante partilhar o que vos vou contar, porque sei que há muita gente a passar pelo mesmo.
Chegou o verão, o calor e o tempo em que toda a gente sente falta de praia. Durante toda a minha vida, nunca fui à praia com amigos, nunca me pus de biquíni à frente de nenhum deles. Sempre tive problemas com o meu corpo. Sempre fui a “Gorda” na escola e tornei-me “a Gorda” para mim. Cheguei aos 28 anos cheia de complexos. As minhas pernas, as minhas ancas, o meu rabo e os meus braços foram, durante anos, o motivo de choros recorrentes à frente do espelho, porque nenhuma peça de roupa me assentava bem. Aliás, nunca usei um vestido, por vontade própria, até chegar a meio da minha licenciatura porque, segundo as minhas colegas do ensino básico “As gordas deviam ser proibidas de usar saia”.
Os comentários dos outros tornaram-me o meu problema. A verdade é que podemos não reagir quando nos insultam, mas guardamos todas as opiniões alheias e deixamos que elas nos moldem. Que criem uma imagem de nós que carregamos todos os dias connosco.
Bem, outro dia combinei ir, com um dos meus amigos, ao rio e, após se ter confirmado o plano para o dia seguinte, pensei “Merda, onde me fui meter…”. Não lhe contei, mas estive, literalmente, em stress durante as 24 horas que se antecederam à ida. Saí do trabalho e fui diretamente ao shopping comprar um fato de banho para me esconder o mais possível. Dei umas 5 voltas em todas as lojas, em desespero, por achar que nada me iria ficar bem (a parte boa é que cumpri com o meu objetivo diário do google fit bastante rápido). Cheguei a casa e experimentei o fato de banho e, obviamente, detestei como me assentava. Reclamei da vida ao telefone com a minha melhor amiga. Peguei em todos os meus biquínis e vesti-os um por um até que cheguei à conclusão: “Ana, estás a ser ridícula. Ninguém vai olhar para ti. NINGUÉM.”. O meu rabo, as minhas pernas, as minhas ancas, são problemas que EU tenho comigo, que EU não sei aceitar.
Não me preocupei mais com o assunto até que cheguei, efetivamente, ao rio. Sabem aquele choque que vem acompanhado de um calafrio de nervos e arrependimento? Foi o que senti quando me deparei com o momento de tirar a roupa. Respirei fundo, tirei-a e, sinceramente, não me custou, rigorosamente, nada. Ninguém me estava a julgar, ninguém estava a reparar em mim. Nem eu. Passei um bom momento no rio e, no dia seguinte, fomos à praia. De manhã, o meu pensamento foi “Porra, Ana, nas que te metes”. Mas, novamente, quando lá cheguei, não estive conscienciosa do meu corpo em momento algum. Porque se não estiver a olhar para o espelho, nem me lembro dos “meus defeitos”, apenas me lembro de aproveitar o momento. Por isso, o problema é só meu. Claro está que é muito mais fácil quando estão com alguém que confiam e se sentem confortáveis, mas também, dane-se o que os outros pensam.
Portanto, este ano, decidi pôr de parte os meus complexos e, finalmente, aproveitar o bom tempo com as pessoas que gosto. Aprender a aceitar-me como sou. Porque ninguém quer saber da minha celulite, ninguém quer saber das minhas cicatrizes, ninguém quer saber do meu rabo descaído. Só eu. E, sinceramente, o meu corpo é como é e nem quando estava mais magra gostava dele, por isso, é toda uma questão psicológica que tenho de combater.
Estou feliz por ter ido ao rio e ter ido à praia. Estou feliz por ter quebrado esta barreira. E, a verdade é que, se me sentir bem com o meu corpo, toda a minha atitude perante a vida muda, por isso, só tenho de aprender a gostar de mim, a valorizar-me, mais do que a qualquer outra pessoa e sempre.























