Medidas não padrão
setembro 11, 2018
Em Março de 2015, decidi que estava na altura de emagrecer. Fui
várias vezes confrontada com o meu peso em excesso, uma vez que tinha uma operação
marcada para Abril, e cada vez me custava mais ver as fotografias que me tiravam.
Eu com 73, 66 e 73 novamente.
Estava com 73 quilos e já não era fácil olhar para o espelho. Decidi, com o Miguel - o meu melhor amigo - ,
começar a correr. Corríamos e caminhávamos todos os dias, sem exceção, e, o
mais frustrante, era que nem um quilo desaparecia da balança. Encontramos,
depois, a Cassey Ho, do canal Blogilates, e decidimos experimentar. Bem, as
diferenças foram notórias em menos de um mês (foto em baixo) e passamos rapidamente
do calendário de iniciantes para o calendário mensal gratuito que ela disponibilizava.
Até aqui tudo bem, fazíamos exercício todos os dias, o meu
corpo estava a mudar, os músculos estavam a ficar definidos, até que decidi,
também, mudar a minha alimentação. Comecei a cortar nas porções, nos hidratos,
nas gorduras saturadas, nos fumados, na pizza (que é a minha comida preferida
de todos os tempos), nos gelados, em tudo. E cortei e cortei, até chegar ao ponto
em que estava com 58 quilos e tudo aquilo que comia que ou tivesse calorias a
mais das que achava por bem comer, ou que fosse em maior quantidade do que aquela
a que estava habituada, me fazia doer o estômago. E andava já a ter quebras de
tensão e a ter ataques de ansiedade sempre que ia fazer exercício porque era
certo que me ia sentir mal. Mas continuava. O episódio que mais me marcou foi
quando fui comer francesinhas orientais, a uma casa de kebabs, e desatei a chorar
porque nem um quarto da francesinha consegui comer e o meu estômago doía imenso. E doía porque desde
a primeira garfada estava a pensar no mal que as carnes processadas me iam
fazer, como o pão demasiado torrado me poderia causar cancro e que ia engordar tudo
de novo. Quem me conhece sabe que fui diagnosticada com Perturbação Obsessiva
Compulsiva (POC), sendo que, já por duas vezes, tive de fazer tratamento. Então,
emagrecer, para mim, tornou-se uma obsessão. Deve fazer confusão a quem estiver
a ler isto o facto de 58 quilos ser um número perfeitamente normal e, sim, segundo
o Índice de Massa Corporal (IMC), estava bem para a minha altura. Mas este era
o meu aspeto com 63/64 quilos:
Resumindo, nem toda a gente tem a mesma estrutura e o IMC é apenas
uma medida indicativa, que deve ser acompanhada por muitas outras. Tenho ancas
extremamente largas, um rabo grande, uma caixa torácica enorme e tive de
aprender a compreender e a gostar do meu corpo. Nunca vou ser uma Adriana Lima ou uma outra modelo
de passerelle, nem que deixe de comer, mas posso sempre ser eu e está
tudo bem!
Seguem algumas fotos de quando estava mais magra. Não tenho fotos de quando cheguei ao extremo porque não estava bem na altura, estava a passar por um pico da depressão e não tinha paciência.
Tudo isto para dizer que estou novamente a precisar de
emagrecer. Engordei mais de 10 quilos com o segundo tratamento para a POC, que
acabei recentemente – estou oficialmente curada. Mas, desta vez, quero tentar
ser mais saudável, mentalmente, em relação a isso. E não, não quero, nem vou,
fazer dieta, regime, planos alimentares malucos. Vou, simplesmente, adaptar o
meu estilo de vida a um mais saudável, sem me culpar pelo que como ou não. Porque
acredito que ser feliz é o mais importante para se ser saudável, e o nosso
corpo precisa, sim, daquele pedaço de pizza e gelado para estar bem.





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